Empreendendo na Biblioteconomia

 

Falar de empreendedorismo é sempre um desafio, ainda mais quando se refere ao atual mercado de trabalho sempre tão dinâmico e fluído.  Empreender se relaciona muito à prática, experiência, vivência, porém, é importante teorizar e refletir para ter subsídios e fundamentos a fim de nortear novos empreendedores que tenham alguma ideia aplicável e queiram agarrar uma boa oportunidade para colocar a ideia em prática.

Empreender na Biblioteconomia é um desafio maior ainda. Abarca mudanças de hábitos, comportamentos, perfis, competências, atitudes e, principalmente, visão. Visão empreendedora de se enxergar como um profissional liberal que pode (e deve) exercer seu trabalho também fora das bibliotecas.

Nessa conjectura, a atuação dos bibliotecários ainda está relacionada aos espaços tradicionais, sendo possível vislumbrar novos e prósperos campos de atuação para profissionais que lidam com a gestão da informação em diferentes suportes e por meio de variados recursos. Então se questiona: Por que não criar empresas para prestação de serviços na área da informação e ser dono do seu próprio negócio? Por que manter-se trabalhando como empregado, garantindo a competitividade para sua instituição ao invés de sair para gerir sua própria empresa? Por que não usar seu capital intelectual, networking e competências desenvolvidas em seu próprio negócio?

Foi na década de 1980 que surgiram as primeiras empresas formais criadas por bibliotecários no Brasil, porém, muitas ainda voltadas para serviços tradicionais de organização de bibliotecas, normalização e editoração de documentos, capacitação de bibliotecários, entre outros. A partir dos anos 2000 apareceram as primeiras empresas com serviços mais tecnológicos e gerenciais para atender demandas específicas balizadas pelo mercado.

É premente observar que são esses profissionais pioneiros que estão inovando e aplicando seus conhecimentos e experiências em campos novos onde poucos bibliotecários se aventuram, estão empreendendo em áreas por caminhos ainda não pensados por outros colegas de profissão.  Estão fazendo a diferença e agregando valor ao seu trabalho com a formação que possuem, aplicando seus conhecimentos e habilidades para abrir seu próprio negócio na área de informação em um país que possui diversas barreiras que dificultam o empreendedorismo.

São esses biblioempreendedores que estão fazendo a diferença, não só em sua carreira, mas movimentando a economia e o local onde vivem e atuam. Apesar dos inúmeros entraves burocráticos que permeiam o Brasil para empreender, os bibliotecários estão inovando e trilhando um novo caminho/futuro para sua vida, para a Biblioteconomia, para o Brasil, simplesmente pensando fora da caixa.

Pensar fora da caixa é ir além do nosso perímetro de atuação. É sair da zona de conforto e ver o que o mercado e a sociedade precisam, o que o mundo precisa. Pensar fora da caixa é parar de achar culpados e ser protagonistas da sua carreira, da sua formação, da sua profissão e da sua história.

Nesse contexto, quando falamos em empreendedorismo na Biblioteconomia nos referimos as:

 

  1. Habilidades desenvolvidas e conhecimentos adquiridos ao longo da graduação e por meio de formações complementares aplicáveis aos novos campos de atuação que exigem um perfil profissional diferenciado atento às oportunidades;
  2. Criação de um negócio na área de informação em que o bibliotecário pode atuar como profissional liberal para prestar serviços voltados para demandas específicas do mercado ou da sociedade em si;
  3. Ações intraempreendedoras que podem ser desenvolvidas por bibliotecários em diferentes campos de atuação como gestão de processos, comércio eletrônico, arquitetura da informação, gestão de projetos, entre outros, inclusive em bibliotecas.

 

O atual mercado de trabalho, assim como a sociedade em geral, tem a informação como insumo para seu desenvolvimento, exigindo que tenham profissionais aptos a lidar com a informação em seus diferentes suportes para variados usos enquanto estratégia competitiva para tomada de decisão e inovação. A partir dessa premissa, eclodiram novos campos de atuação para o bibliotecário empreender na área de gestão da informação, ofertando serviços voltados para essas demandas sociais e mercadológicas.

Entretanto, essa mudança de olhar sobre os campos de atuação exige um perfil diferenciado que une coragem, criatividade e ousadia. Demanda atualização constante, aprendizado continuado, trabalho colaborativo, atuação multidisciplinar e visão sistêmica. Exige que os bibliotecários queiram fazer algo novo. Quando falo em inovação não me refiro a apenas um produto ou processo novo, mas algo que possa agregar valor ao mercado ou a sociedade. E você está preparado para isso? Deseja sair da zona de conforto? Deseja ser responsável por sua carreira? Quer protagonizar sua história e quem sabe ser uma referência profissional? Se você respondeu SIM a uma das questões acima, então te desafio a navegar por esse portal e vislumbrar novos campos de atuação. Vamos lá?

Daniela Spudeit

danielaspudeit@gmail.com

Coordenadora do Portal EmpreendeBiblio

Professora no curso de Graduação em Biblioteconomia e na Pós-Graduação em Gestão da Informação na UDESC, Florianópolis/SC.


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