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Published on setembro 4th, 2017 | by Empreende Biblio

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Case Empreendedorismo Social – Barco Biblioteca no Amazonas

Expedição Barco-Biblioteca: atividade de promoção da leitura em comunidades ribeirinhas no Amazonas.

 

Thiago Giordano Siqueira (thiago.giordano@gmail.com)

 

A leitura é um fator primordial para a vida em sociedade, mesmo assim muitas pessoas ainda não se apropriaram desse hábito. Essa temática vem sendo foco de várias pesquisas e eventos acadêmico-científicos, sempre com o objetivo de torná-la acessível a todos.

O Brasil apresenta largas distâncias entre seus Estados e municípios sofrem com a ineficácia na implantação de projetos. O Estado do Amazonas ocupa o maior espaço territorial do país, além disso, o transporte fluvial pelos rios é a única forma de acesso às comunidades.

Nesse contexto a Expedição Barco Biblioteca atua com uma atividade desenvolvida por um grupo de amigos que visa levar a leitura para as comunidades do Amazonas que não possuem acesso de via terrestre, tentando alcançar e ganhar o maior número de leitores possíveis. Contribuindo para o processo de inclusão informacional a partir da prática da leitura e a democratização do acesso ao livro que são aspectos importantes na denominada sociedade da informação e do conhecimento.

Trata-se de um desafio, pois a leitura, condição que para muitos é considerada essencial, não está disposta para todos e há pessoas analfabetas que precisam ser incluídas de na sociedade a fim de garantir sua participação como cidadão.

A metodologia dessa atividade surgiu em 2006 com o Instituto Ler para Crescer da Amazônia (ILPC), organização sem fins lucrativos, de atuação filantrópica em defesa dos direitos das crianças e adolescentes e que se ocupa com ações para comunidades menos favorecidas nos bairros da periferia de Manaus. A ação arrecada recursos financeiros por meio de doações de amigos e familiares. Destaca-se que é uma atividade voluntária e estamos abertos para parcerias e mais voluntários para as próximas edições.

O Barco viaja pelos rios do Amazonas, promovendo ações em comunidades ribeirinhas – especialmente para as crianças que ali vivem. Tais atividades destacam a importância dos livros na vida cotidiana e abordam temáticas que valorizem a conscientização ambiental, já que estão inseridos no ambiente amazônico e também ao valorizar essa temática, se cria um sentimento de identidade com a população visto que vivem a base econômica de agricultura e da pesca.

A última edição ocorreu nos dias 12 e 13 de agosto e desbravamos 4 comunidades do município de Manacapuru: Águia, Nossa Senhora de Nazaré, São Paulo e .São Pedro do Lago do Castanho. Nesta viagem, embarcou um grupo de pessoas bem diferentes, mas, com uma paixão e uma bússola de vida em comum: o amor pela leitura e a crença de que o conhecimento liberta. Marujos (assim chamamos aos voluntários que participam da atividade) distribuídos nos carros, rumo ao destino, já nas primeiras conversas perceberam que a diversidade seria um dos pontos fortes da tripulação.

É interessante notar que quando a embarcação vai se aproximando, logo os moradores acercam-se às margens dos rios, com olhares curiosos, e as crianças encantadas com aqueles “seres fantasiados” que ali estão chegando. A que vieram?

A experiência é ímpar e está cada vez mais despertando o interesse de outros colegas bibliotecários.Nessa edição, tivemos 4 bibliotecários participando da atividade.  Ganhamos profissionalmente e como ser humano. Desenvolvemos habilidades durante a expedição porque todo mundo desempenha todas as atividades entre: realizar campanha de arrecadação de livros e fazer triagem dos mesmos, cozinhar, arrumar e limpar o barco, desenvolver atividades lúdicas com crianças, contar histórias, realizar oficinas de origami, pintar rosto, etc.  Enfim, é interessante pelo aspecto do empreendedorismo social já que a atividade é sustentável e visa buscar melhorias na sociedade e é exatamente o que queremos: por meio do livro e da leitura, conseguir resultados positivos nos ribeirinhos, mostrando-lhes possibilidades como uma estratégia que gera um retorno social e ambiental positivo na medida em que possam enxergar na leitura um meio de promover melhoria de vida e a consciência ambiental de que precisam preservar o espaço que habitam. Resultando assim, um ambiente saudável e boas condições de vida para todos.

Desde a Biblioteconomia Social, esse é o momento de exercer a nossa responsabilidade social que as vezes fica perdida dentro da fixação pela técnicas que permeiam nossos afazeres laborais. Devemos ser conscientes do nosso papel político, social e ativo na humanidade na medida que contribuímos para a democratização do acesso à informação.

Para nós, como profissionais é importante ter em conta antes de tudo: ter a mente aberta, ficar longe e preconceitos e discriminações, acreditar no poder de transformação a partir da leitura e das bibliotecas e promover recursos de informação que atendam as necessidades dessas comunidades. E isso é percebido rápido, quando você ouve das crianças e líderes dessas comunidades: “Como vocês chegaram aqui?”, “Quando voltarão aqui?” e “Porque nos escolheram?”.

É quando notamos que esses indivíduos sentem falta de ações tangíveis e efetivas. Mas estamos ali, mudando um pouco as coisas, mas ainda que seja muito pouco, levamos algum benefício e plantamos esperança que pode ser notada no olhar das crianças após o momento de encantamento da roda de leitura onde podemos escutar relatos: “Na minha escola tem livros, mas a tia nunca fez isso com a gente” ou “Eu gostei muito disso, porque tô um tempão sem ir pra aula. A professora saiu porque tá grávida e aí não tem outra”.


Leia ainda a matéria no blog Thiagoteca:  6 coisas que aprendi na “Expedição Barco Biblioteca” e que podem ser úteis para você

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